PNDS atinge meta de consumo com capacitação de mais de 13 mil profissionais

 

PNDS atinge meta de consumo com capacitação de mais de 13 mil profissionais

Valor de 15,1kg é alcançado um ano antes do prazo estabelecido

 

Mais de 1 milhão de pessoas sensibilizadas, cerca de 13 mil profissionais capacitados – sendo quase 20% produtores, em 367 ações realizadas em 122 municípios de 09 estados em apenas 2 anos. Como resultado 2 kg a mais no consumo de carne suína per capita/ano. São esses os números atingidos pelo Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS) idealizado e coordenado pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), em parceria com o Sebrae Nacional e a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que um ano antes do previsto atingiu a meta de elevar para 15kg per capita/ano o consumo da carne suína pelos brasileiros.

Por um longo período, o consumo da proteína permaneceu estagnado, aumentando apenas de acordo com o crescimento da população. “Agora, o aumento é real”, comenta o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, ao comemorar a meta atingida. Em mais um ano consecutivo a suinocultura brasileira teve no mercado doméstico a sua principal base de sustentação e não há como negar que a suinocultura avançou neste ano como há muito tempo não se via. O destaque foi a forte expansão do consumo interno, que cresceu quase 4%, além da elevação dos preços pagos ao produtor. Assim, o mercado doméstico constituiu neste ano de 2011 sua importância para a suinocultura brasileira.

Por meio de nove estados participantes (Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e de centenas de suinocultores, empresas do setor, autoridades e lideranças foi possível deixar pra trás definitivamente a estagnação no consumo que assolava o setor desde 2006. Por quase quatro anos o consumo per capita de carne suína permaneceu estagnado ao redor de 13 kg/ano, mas segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), o consumo brasileiro de carne suína atingiu neste ano valor 16% a mais em relação a 2006 – ano em que a ABCS iniciou seu programa de estímulo ao consumo de carne suína no mercado brasileiro e que posteriormente originou o PNDS.

O inesperado embargo russo e a queda brusca nas exportações brasileiras no início desde ano evidenciam, mais uma vez, a necessidade de trabalhar o mercado interno de carne suína devido à dificuldade de avanço para novos mercados. Com a valorização do real na maior parte do ano, a carne suína se manteve menos competitiva em relação aos produtos dos países concorrentes e as exportações fecharam em 520 mil toneladas, valor 3,8% menor que no ano passado e 12,4% menor que em 2009. O aumento da produção de carne suína ao redor de 4,9% e a queda nas exportações colocou no mercado doméstico um volume de carne 6,6% superior ao volume de 2010.

“Esse cenário favorável da suinocultura brasileira não poderia ser alcançado sem a atuação do PNDS no setor, que através do trabalho realizado pelas afiliadas da ABCS, e de diversas parcerias firmadas com associações de supermercados estaduais, associações de bares e restaurantes, redes de hipermercados, consultorias na área de produção e universidades renomadas do país trouxeram resultados expressivos para cadeia de suínos”, comentou a coordenadora nacional do PNDS, Lívia Machado. Ações realizadas nos três elos de atuação do Projeto, comercialização, produção e indústria, possibilitaram ao consumidor conhecer mais sobre as qualidades do produto, às agroindústrias ampliarem seu leque de cortes e ainda aprimorarem a qualidade dos serviços executados e aos produtores de suínos mais capacitação de seus colaboradores e também a melhoria dos processos produtivos. O presidente do comitê executivo do PNDS, Rubens Valentini, defende a importância do Projeto, não só pela meta de aumento no consumo, mas pelas ações desenvolvidas para se chegue lá. “Precisamos reforçar que o conceito do PNDS vai além do aumento de consumo. Essa é apenas a meta, por trás dela há inúmeras ações de iniciativas de relevância para a suinocultura”, resume o idealizador do PNDS.

 

Indústria

A continuidade do estudo inédito com 54 agroindústrias no estado de Santa Catarina iniciado em 2010 para obter um panorama sobre a área produtiva, instalações e, principalmente, o mercado na região do estado, resultou neste ano na consultoria tecnológica em Boas Práticas de Fabricação (BPF) para 16 frigoríficos nos municípios de São Miguel do Oeste, Braço do Norte e Pomerode.

Ciente também de que estudos de marketing indicam que a embalagem é um dos elementos decisivos para o cliente na hora de comprar algum produto o PNDS também desenvolveu a primeira consultoria em embalagens e marcas no estado de Minas Gerais, redesenhando mais de 170 embalagens do Frigorífico Saudali. Também foi realizada no Frigorifico Suinco e Saudali a consultoria industrial para aprimoramento da eficiência nos processos de abate, desossa, triparia e miúdos.  Já na área de cortes suínos, somente neste ano mais de 2 mil profissionais de açougue foram capacitados nos nove estados participantes, com objetivo de ampliar o leque de opções para o consumidor brasileiro. Para auxiliar no treinamento desses profissionais o Projeto em parceria com o MAPA elaborou uma importante ferramenta da disseminação, o Manual Brasileiro de Cortes Suínos que retrata mais de cem diferentes cortes com a sugestão de nomenclatura gastronômica para a sua comercialização.

 

 

Produção

Já na área de produção, iniciativas voltadas ao segmento marcaram o ano de 2011, como o Manual de Boas Práticas Agropecuárias na Produção de Suínos, lançado em 13 estados pela ABCS com o objetivo de orientar os produtores nos padrões operacionais e gerencial das granjas, além da parceria com o Sebrae Nacional que resultou no Programa de Inovação e Tecnologia Produtiva na Suinocultura (SUINTEC), responsável por consultorias individualizadas que viabilizam aos produtores brasileiros um levantamento completo de rotinas de manejo adotadas nas granjas, seguido de avaliação dos procedimentos atualmente em uso.

Também numa parceria com Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), conhecido como Qualificação Profissional em Suinocultura, o Projeto oferece um treinamento qualitativo para suinocultores, gerentes e colaboradores de granja de suínos, ação que acontece por meio das associações afiliadas e dos Senar estaduais. Outra grande conquista na produção em 2011 foi a implantação do Programa de Capacitação Total em Suinocultura (PCT), com apoio de empresas fornecedoras, nos estados da Bahia e Ceará, onde foram realizados seis módulos de treinamentos para produtores e colaboradores de granja desde a gestão até o manejo. Quase 600 profissionais desses estados participaram dessa inciativa inédita.

 

 

Comercialização

O maior volume de ações aconteceu na área de comercialização demonstrando expressivos crescimentos nas vendas da carne suína e um novo reposicionamento em alguns mercados. Aumentos de 23% a 98% nas vendas de cortes suínos foram registrados em supermercados que realizaram a campanha “Um Novo Olhar” nos estados participantes. Como novidade, neste ano, foram capacitadas merendeiras nos estados de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, com foco na alimentação de alunos da rede pública de ensino, além de testes de aceitabilidade que surpreenderam com o alto índice de aprovação, que em algumas escolas chegou a 98%. Já para ampliar a comercialização da carne suína em pontos de vendas, o Projeto também capacitou promotores, levando mais conhecimento sobre a qualidade do produto e seus benefícios à saúde, além de detalhar as opções de cortes que o suíno oferece, muito semelhante aos cortes bovinos, bastante conhecidos pela população.

Com intuito de ampliar as opções de preparo da carne, o PNDS também elaborou ao longo de dois anos cartilhas de receitas com cortes diferenciados e sabores de dar água na boca. O material foi produzido para diferentes segmentos como: restaurantes, merenda escolar, lanchonetes e padarias e refeições coletivas. Outro destaque na área de comercialização foram as palestras nutricionais, que buscam desmistificar conceitos negativos à carne suína junto a profissionais da saúde como médicos e nutricionistas. Apenas nesse ano esse tipo de capacitação o PNDS atendeu mais de 1.700 pessoas.

O alto número de participantes consagrou o sucesso das Oficinas Gastronômicas realizadas nos supermercados de Goiás, que tem o intuito de promover e valorizar a carne suína e ainda estimular o consumo, divulgando a versatilidade da carne e as possibilidades de cortes e pratos para o dia-a-dia, por meio de receitas feitas ao vivo por chef renomados da região.

 

 

Maior centro consumidor

A mais recente conquista do PNDS neste ano foi a inclusão do estado de São Paulo nas atividades que se iniciam em janeiro de 2012 e encerram ao final de 2013. Ao lado da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), o Sebrae/SP, e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), a ABCS tem expectativa de sensibilizar mais de 4 milhões de pessoas nas cidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e São José dos Campos.
O objetivo final do Projeto em São Paulo é aumentar 5% de carne suína produzida no estado e ampliar as vendas em 15%. “Termos o estado como aliado significa garantia de aumento ao consumo, de disseminação das qualidades da carne suína e num futuro próximo, a quebra do paradigma de que nosso produto faz mal a saúde humana”, comenta a coordenadora nacional do PNDS, Lívia Machado.
Com a nova meta estabelecida pela ABCS de ampliar o consumo per capita/ano de carne suína para 18 kg até 2015, a expectativa da coordenadora é “multiplicar os trabalhos, expandindo o número de produtores e profissionais capacitados, de ações realizadas para que no próximo ano seja possível atingir resultados ainda mais significativos”, encerrou.
Fonte: ABCS
Publicado em 22 de dezembro de 2011

 

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