Preço do suíno em alta no mercado interno 14/07


 

Depois de semanas consecutivas de queda no valor pago ao produtor de suínos, o mercado reage positivamente e traz alívio a maioria dos suinocultores brasileiros, que somam cifras milionárias em prejuízos acumulados nos dois últimos meses. Segundo dados da Scott Consultoria, com três reajustes no período, o preço do suíno acumulou 22,5% de alta em apenas uma semana.

Após quatorze dias de estabilidade, a arroba do suíno iniciou a semana anterior com leve alta de R$2,00/@ e não parou de subir. Com três reajustes em cinco dias, o preço subiu 22,5%, já no atacado, os preços da carne acompanharam as oscilações, com alta de 20%.

Historicamente, este não é considerado um período do ano de preocupações para os suinocultores, já que as baixas temperaturas incentivam o aumento do consumo de proteínas. Mas não foi o que aconteceu neste ano. Depois do anúncio de embargo as 85 agroindústrias brasileiras pelo governo russo, o mercado interno sofreu o que os especialistas chamam de efeito manada. Com receio da diminuição de animais para exportações, muitos produtores despejaram sua produção no mercado interno, principalmente nos estados do Sul. Consequência disso foi a alto número de animais que se encontravam no sudeste e até centro-oeste vindos dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracterizando uma grande oferta de suínos vivos e a redução dos preços de venda. Aliado a esse panorama, esteve também a alta dos custos de produção que no mês de junho atingiram recordes, principalmente pelo alto valor de venda das sacas de milho, inviabilizando grande parte das produções.

 Mas agora, após semanas com queda no valor do quilo do suíno vivo, o mercado suinícola vem demonstrando retomada no valor de comercialização da carne. Em Minas Gerais, por exemplo, há procura intensa por parte dos frigoríficos elevando diretamente o preço do quilo do suíno vivo, que nessa semana chegou ao valor de R$3,00, na cidade de Belo Horizonte, segundo informou a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg).

Em São Paulo, o cenário se repete com volumes altos de animais vendidos à preços que superaram as cotações do mesmo período do ano anterior. Segundo a Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), foram vendidos 8.220 animais entre R$ 53,00 e 55,00@, o equivalente a R$ 2,88 e R$2,93 o quilo, respectivamente.

Nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o preço também reagiu atingindo R$ 1,90 e R$ 2,10, respectivamente, mas ainda não cobre os altos preços de produção.

 

Depoimentos

 

Os valores pagos ao produtor no mercado spot chegaram a R$2,40 o quilo, com expectativa de alta. Acredito que nas próximas semanas os produtores integrados deverão receber valor mais alto que o atual que é de R$ 1,90. Mas ainda com essa melhora, os suinocultores não estão cobrindo os custos de produção.

Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS

 

O mercado reagiu nas últimas semanas e os frigoríficos têm pago o valores acordados, mas infelizmente ainda não estamos conseguindo cobrir os custo de produção que estão em R$ 2,10 por quilo. Acredito que a grande presença de animais com baixo peso elevou a procura por parte do varejo. Nos próximos dias já será possível vender animais com peso normal de 105kg.

Custodio Rodrigues de Castro, secretário-executivo da ACRISMAT

 

Os frigoríficos passaram a demandar muito mais e a pagarem o valor estipulado pela Bolsa de Suínos de Minas Gerais pelo nosso produto. Para esta semana a expectativa é de alta.

José Arnaldo Cardoso Penna, vice-presidente da Asemg e presidente a Bolsa de Suínos de Minas Gerais

 

 

 

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