Evolução Genética

Atualmente, dois fatores têm sido de fundamental importância para o direcionamento do melhoramento genético de suínos: o reconhecimento, por parte dos geneticistas, de que os suínos competem por alimentos que podem ser incluídos na dieta humana e, a competição em nível de mercado com produtos de outras espécies domésticas, sendo a competição com produtos de frango de corte o exemplo mais evidente.

O melhoramento genético visa, principalmente, melhorias na saúde, dando resistência às doenças e defeitos congênitos; melhoria na qualidade da carne e nas características de produção, como prolificidade, habilidade materna, conversão alimentar e taxa de crescimento. Atualmente, as atenções têm se concentrado em três pontos principais: redução da gordura, melhoria da eficiência alimentar e favorecimento do crescimento do tecido magro para maximizar o desempenho dos suínos em terminação e na qualidade da carcaça.

A utilização de melhores raças disponíveis, em conjunto com melhoramento genético por meio de seleção e de sistemas de cruzamentos, são os principais meios disponíveis para melhorar a eficiência produtiva e reprodutiva dos suínos. O uso de cruzamentos aponta como principais vantagens a produção de heterose, a incorporação de material genético desejável em apenas uma ou duas gerações e a utilização da complementaridade, associando-se características desejáveis de duas ou mais raças ou linhagens.


A exploração dessas vantagens na produção de suínos é possível graças à divergência genética evidenciada, entre as raças, para muitas das características de importância econômica. Para se aumentar os índices produtivos de uma criação, é preciso utilizar machos e fêmeas de alto valor genético no plantel de reprodutores. Os ganhos genéticos ocorrem quando uma seleção dos melhores animais é feita continuamente para determinadas características de importância econômica. As raças, por serem bastante variadas entre si, são importantes para se obter ganhos genéticos pela ação aditiva dos genes, que têm efeitos permanentes. Deve-se, então, aproveitar a variabilidade das raças explorando os efeitos aditivos e não-aditivos dos genes.


O sistema de produção de suínos apresenta estrutura piramidal, na qual se encontram em seu ápice os rebanhos núcleos, onde são realizados os programas de melhoramento (testes e seleção), cujo material genético selecionado é repassado para o estrato inferior representado pelos rebanhos multiplicadores, que o multiplica por meio de cruzamentos, para então chegar aos rebanhos comerciais, nos quais são produzidos os suínos para abate.


A eficiência do programa de melhoramento genético depende da precisão com que os indivíduos submetidos à seleção são avaliados. Os métodos de avaliação genética animal têm sido, ao longo das últimas décadas, modificados de forma que lhes sejam acrescentados propriedades desejáveis. Essas alterações foram ocasionadas, principalmente, pela aplicação da teoria de modelos lineares à genética quantitativa.


Atualmente, a metodologia de modelos mistos para avaliação genética de suínos tem sido empregada e recomendada por vários pesquisadores em melhoramento animal, por fornecer estimativas não viesadas de efeitos genéticos, comuns ou permanentes de ambiente e de grupo de animais, efeitos maternos e de endogamia, efeitos de seleção, dentre outros. Tal metodologia foi denominada Best Linear Unbiaseb Prediction - BLUP (Melhor Predição linear Não-Viesada) e consiste, basicamente na predição dos valores genéticos, tomados como aleatórios, ajustando-se os dados, concomitantemente, aos efeitos fixos e ao número desigual de informações nas subclasses.


Para aplicação desse método, faz-se necessário o conhecimento prévio dos componentes de variância e covariância, que geralmente não são conhecidos. Contudo, esses componentes podem ser estimados por vários métodos, sendo o da Máxima Verossimilhança Restrita (REML) recomendado para modelos lineares mistos e dados desbalanceados.

Dentre as espécies de animais domésticos, a suína é certamente uma das que mais tem se beneficiado do grande progresso no conhecimento do genoma, ocorrido principalmente nos anos noventa. E isto tem se verificado tanto pelos investimentos diretos em pesquisas do seu próprio genoma como pela rápida conversão dos conhecimentos adquiridos em ferramentas aplicadas à seleção.

Um marcador genético pode ser definido como um segmento específico e conhecido de DNA, que associa a presença de um ou mais genes a um efeito importante sobre determinada característica. Assim, o uso de marcadores genéticos constitui um mecanismo direto para identificação do genótipo (constituição genética) dos suínos para características de interesse. O primeiro marcador genético que governa uma característica importante para o melhoramento genético de suínos, somente se tornou disponível em 1991, quando pesquisadores canadenses desenvolveram a técnica para identificação do chamado Gene Halotano, cujo efeito tem várias denominações, dentre elas a Síndrome do Estresse Suíno.

Outro marco desta última década foi a associação dos objetivos do melhoramento genético de suínos às exigências da indústria. Isto só se tornou possível porque o uso de técnicas como o BLUP e os marcadores genéticos permitem avaliar características que não se expressam ou não podem ser medidas no indivíduo que está sendo avaliado. Desta forma, ao objetivo de seleção anterior, conversão de alimento em carne magra, foi agregado o objetivo qualitativo desta carne magra. Além da seleção para características qualitativas da carne, os marcadores genéticos são particularmente úteis como auxílio à seleção de diversas características que são difíceis de serem selecionadas pelos métodos convencionais. É o caso da seleção para resistência a doenças e da seleção para eficiência reprodutiva.

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